
Estudos recentes realizados com universitárias revela que 100% das estudantes estão descontentes com o próprio peso! Quase todas almejam perder peso e, mesmo entre as subnutridas, apenas 15% desejam ganhar peso!
Levantamento semelhante foi feito nos E.U.A. cerca de dez anos atrás e números, já impressionantes, revelavam que 53% das meninas até 13 anos estavam insatisfeitas com o próprio corpo e que esse número ascendia a 78% dos 18 anos em diante.
O que era maioria tornou-se totalidade ! Pior, mesmo as meninas muito magras almejavam um “peso estético” que, se atingido, as colocaria na condição de subnutridas (IMC igual ou inferior a 18) .
Estudos da Associação Americana de Medicina revelam que as Misses de 1970 para cá seriam classificadas como subnutridas.
Um levantamento levado a efeito em Pelotas revela que 30% das adolescentes de 12- 15 anos apresentavam comportamentos chamados precursores de transtornos alimentares.
Os padrões estéticos passados pela mídia, passarelas, academias e pela publicidade em geral, impondo uma “beleza magra” poderiam ter contaminado coletivamente a sociedade, levando-a a conceituação de uma “imagem estética inadequada e inviável” e só possível numa minoria de mulheres que, possuidoras deste padrão, deveriam estar “satisfeitas”, fosse a felicidade a consecução destes objetivos.
Estou realizando levantamento nesta população dita “privilegiada” que engloba modelos em geral que, supostamente, ditam estes padrões ou são nomeadas para fazê-lo. Entre elas as modelos que fazem trabalho de corpo, que fazem da perfeição física, da sensualidade o seu diferencial e que aparecem em fotos, comerciais e desfiles esbanjando beleza, curvas, charme e insinuando perfeição física em lingerie, biquínis etc. Da mesma forma que as não modelos, apresentam 100% de insatisfação (e já entrevistei perto de 100 modelos nesta pesquisa!) com o próprio corpo! Isto mesmo ! A mulher escultural do comercial , desejada, invejada, tida como paradigma ESTÁ IGUALMENTE INSATISFEITA ! Quer perder em média 3 quilos !
Então não se trata de uma questão de imagem, mas algo muito mais ligado à auto-imagem! Uma alteração coletiva da percepção do próprio corpo, comum em “feias” e “bonitas”, diante da qual todas se insurgem da mesma e perigosa forma: PERDA DE PESO INDISCRIMINADA NA BUSCA DE UM IDEAL ABSTRATO, ILÓGICO, DESVINCULADO DA PRÓPRIA INDIVIDUALIDADE!
Proliferam jejuns, todos os tipos de ”regimes” , medicamentos, preocupações, culpas, exercícios feitos de forma compulsiva, anabolizantes, crenças absurdas na maleabilidade absoluta da forma do corpo. O corpo é arduamente cultivado,pouco respeitado e não usufruído !
Parece que estamos diante de um novo quadro clínico, uma “síndrome sócio cultural” : a “LIPOFOBIA”, um medo absurdo e irracional da gordura imaginária, que vai beirando ao terror! Cada vez mais a beleza se desvincula do biotipo e principalmente da saúde. Um ideal e, como tal, inatingível. Algo como um fim em si própria, buscada de forma cega.
De um lado, em decorrência desta busca, aumentam as doenças relacionadas à auto imagem como Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa, desencadeadas por tentativas mal sucedidas de curar uma obesidade muitas vezes imaginária, mas temida e irreal! Por outro a verdadeira obesidade e o sobrepeso insistem em desafiar nossa competência, apresentando índices mundiais preocupantemente crescentes.

